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Ações em massa e pouco repasse a clientes: como funcionavam esquemas de advogados investigados por fraude no interior de SP

Gaeco mira advogados por fraude milionária contra aposentados na região de Ribeirão Preto Advogados investigados por fraude em Ribeirão Preto (SP), Franca (...

Ações em massa e pouco repasse a clientes: como funcionavam esquemas de advogados investigados por fraude no interior de SP
Ações em massa e pouco repasse a clientes: como funcionavam esquemas de advogados investigados por fraude no interior de SP (Foto: Reprodução)

Gaeco mira advogados por fraude milionária contra aposentados na região de Ribeirão Preto Advogados investigados por fraude em Ribeirão Preto (SP), Franca (SP) e Altinópolis (SP) usavam idosos e aposentados como autores de milhares de ações contra bancos e ficavam com parte do dinheiro ganho na Justiça, segundo documentos da investigação do Gaeco aos quais o g1 teve acesso. Em Altinópolis e Ribeirão, os clientes eram atendidos em uma empresa do pai do advogado Guilherme Menna Barreto Gentil, preso nesta terça feira (20), e vendiam a ela, por valores baixos, o direito ao dinheiro dos processos. Em Franca, o grupo investigado usava listas com dados de aposentados, lives com influenciadores e uma mesma procuração em várias ações. As operações Libelo e Garatéia cumpriram 11 mandados de busca nesta terça-feira, e a Justiça bloqueou até R$ 6,1 milhões em bens, somados os dois casos. Guilherme foi preso em flagrante depois de, segundo a Polícia Militar, jogar equipamentos eletrônicos pela janela do apartamento quando as equipes chegaram. Segundo o Gaeco, os dois grupos são distintos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A defesa de Guilherme diz que ele não cometeu fraudes nem ficou com dinheiro de clientes. O advogado de Thaís Batista Coelho de Paula e Felipe Cintra de Paula, investigados de Franca, afirma que eles atuam dentro da lei. O g1 procurou os demais investigados e as empresas citadas, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta reportagem. (leia mais abaixo) Advogados são investigados por esquema de fraude em ações em nome de aposentados e pensionistas na região de Ribeirão Preto Kaique Castro/EPTV Libelo: como funcionava, segundo a investigação A Vara de Altinópolis estranhou o volume de ações ligadas a Guilherme: são mais de 2 mil só na cidade, muitas em nome de idosos. Chamados pela Justiça, vários autores disseram não saber quanto dinheiro tinha sido liberado nem que tinham vendido o direito de recebê-lo. Atendimento: os clientes eram recebidos na Desenrola, empresa do pai de Guilherme que funcionava no mesmo prédio do escritório dele, em Altinópolis. Lá, funcionárias recolhiam documentos e colhiam a assinatura da procuração, o documento que autoriza o advogado a agir em nome da pessoa. Ações em massa: o escritório entrava com ações repetidas contra bancos. Parte delas era aberta por outras advogadas e depois repassada a Guilherme. Saque: quando o banco era condenado, o dinheiro era sacado para uma conta de Guilherme. Venda do crédito: os clientes vendiam o direito ao dinheiro do processo por valores bem menores, primeiro à Desenrola e depois à Finalize, de Campo Grande (MS). Segundo uma funcionária, os pagamentos eram feitos quase sempre em dinheiro vivo. Mudança de estratégia: quando a Justiça apertou a fiscalização, apareceram procurações com firma reconhecida entregues com atraso, e a Finalize passou a ocupar o lugar da Desenrola. O advogado Guilherme Menna Barreto Gentil atuava em Ribeirão Preto e Altinópolis (SP) Divulgação/OABSP LEIA TAMBÉM Operação do Gaeco investiga esquema de fraude em ações em nome de aposentados e pensionistas no interior de SP; advogado é preso VÍDEO: Advogado preso em operação em SP é suspeito de jogar notebook pela janela antes de polícia apreender equipamento Quem é quem, segundo o Gaeco Guilherme Menna Barreto Gentil, advogado, é apontado como figura central e destino frequente dos saques. Rodrigo Gentil, pai dele, é dono da Desenrola. Adriely Naves Lovato e Raffaela Costa Moysés, advogadas, abriram ações depois repassadas a Guilherme. O Gaeco ressalva que, por enquanto, não há elementos que liguem Raffaela a desvio de dinheiro. Naiara Baldin, advogada, pediu que as empresas compradoras dos créditos assumissem o lugar dos clientes nos processos. Ana Augusta Furtado Tanno, advogada, consultava o cartório sobre a liberação de dinheiro em processos de Guilherme, sem atuar neles. Segundo o Gaeco, a função dela ainda não está clara. Luiz Felipe Coutinho de Almeida Dias é sócio da Finalize. Os crimes apurados são estelionato, inclusive contra idoso, fraude eletrônica, falsificação de documento, falsidade ideológica, apropriação indébita e organização criminosa. Garatéia: como funcionava, segundo a investigação Em Franca, a investigação começou em 2024, segundo o Gaeco, após indícios de uso de procurações antigas ou genéricas. Lista de clientes: o grupo tinha planilhas com dados de benefícios do INSS e acesso a sistemas que mostram quem tem empréstimo consignado. Captação: os clientes eram atraídos por lives com influenciadores, WhatsApp e ligações, com roteiro voltado também a idosos, e pagavam uma taxa de entrada. Procuração reaproveitada: a mesma procuração, genérica, era usada em várias ações contra bancos diferentes, às vezes até dois anos depois de assinada. Uma cliente teve seis ações abertas no mesmo dia. Quando a Justiça pediu procuração atualizada, ações foram abandonadas. Ações espalhadas: em áudios, segundo o Gaeco, o grupo discute usar advogados de outros estados para espalhar as ações e chamar menos atenção em Franca. Dinheiro: contas ligadas ao grupo receberam R$ 10,9 milhões de processos, e só R$ 2,7 milhões foram para pessoas de fora dele. Para o MP, parte do dinheiro foi convertida em dinheiro vivo para esconder bens. Em um dos casos, duas ações foram abertas em nome de um idoso que já tinha morrido. Felipe Cintra de Paula afirmou à Justiça que não sabia da morte. Quem é quem, segundo o Gaeco Thaís Batista Coelho de Paula comandaria a captação de clientes e a cobrança de taxas. Felipe Cintra de Paula, advogado, seria o coordenador jurídico e financeiro. Pablo Almeida Chagas, advogado, cuidaria dos dados e dos sistemas de consulta. Danilo Stante Herker, advogado, cuidaria da distribuição das ações. A Justiça viu aumento de patrimônio incompatível com a renda dele. Letícia Ferreira dos Santos, mulher de Pablo, enviou a ele uma planilha de clientes e a senha de um sistema de consulta de consignado. O Gaeco diz que o papel dela ainda precisa ser aprofundado. O bloqueio na Garatéia é de até R$ 3,1 milhões. Os crimes apurados são estelionato, inclusive contra idoso, fraude eletrônica, falsidade ideológica, falsificação de documento, associação criminosa e organização criminosa. Investigados ou alvos de medidas nas operações Libelo e Garatéia, do Gaeco, em Ribeirão Preto, Altinópolis e Franca (SP) Reprodução OAB e Redes Sociais Como foi a prisão Segundo a PM, policiais do Baep perceberam, durante a busca em um apartamento em Ribeirão Preto, que Guilherme jogava equipamentos pela janela. Um deles foi recuperado em uma laje. Segundo a OAB e a defesa, eram um notebook e um celular. O flagrante foi feito com base na lei de organizações criminosas, que pune quem atrapalha a investigação. Segundo a PM, Guilherme ficou em silêncio. Ele deve passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (21). O que dizem as defesas “Em momento algum, ele cometeu fraude, em momento algum, ele se apropriou de valor de cliente”, disse o advogado Julio Mossin, que defende Guilherme. Ele afirmou que o cliente não admitiu ter jogado os equipamentos e que ninguém é obrigado a produzir prova contra si. Para a defesa, não há motivo para que ele continue preso. Antes da operação, em depoimento à polícia, Guilherme já tinha negado irregularidades e atribuído as reclamações de clientes às vendas de crédito feitas pela Desenrola. Rodrigo negou buscar clientes. O advogado Rafael Spirlandeli, que defende dois investigados de Franca, disse que a investigação começou após denúncia de uma instituição financeira processada por cobrar taxas indevidas de aposentados, e que as ações dos clientes foram julgadas procedentes. “Meus clientes estão tranquilos, atuam dentro da legalidade e da ética profissional, e irão colaborar com a justiça para que a verdade venha o quanto antes”, afirmou. Próximos passos O material apreendido será analisado. Ao fim da investigação, o MP pode denunciar os investigados à Justiça ou pedir o arquivamento do caso. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região